quarta-feira, maio 19, 2010

Para outros...nada!

Governo vai reavaliar verbas para a segunda fase do metro do Porto

|MARTA NEVES - JN|

O investimento previsto pelo Governo para o avanço da segunda fase do metro do Porto será reavaliado. A construção das linhas do Campo Alegre (Porto), Vila d'Este (Gaia), Valbom (Gondomar) e S. Mamede de Infesta (Matosinhoa) pode sofrer um novo atraso.

Este poderá ser um novo revés no arranque do prolongamento da segunda fase da rede de metro do Porto, que representa um investimento de 1,2 mil milhões de euros. Por escrito, o gabinete do ministro António Mendonça assegurou, ao JN, que serão também reavaliados os investimentos de todas as empresas tituladas pelo Ministério das Obras Públicas, "atendendo ao quadro de dificuldades financeiras do momento".

Para Marco António Costa, vice-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, "a reavaliação do lançamento da segunda fase do metro do Porto ou é uma incoerência do Governo ou uma imoralidade". "É incompreensível que se coloque em causa o projecto do metro quando está em vista a terceira ponte sobre o Tejo", sublinhou o autarca.

Da mesma forma, Marco António Costa afirma que "se torna imoral que o Norte pague portagens, suspenda obras e, simultaneamente, se desviem fundos para o Sul para a construção de obras faraónicas". "É inadmissível que se adiem projectos tão importantes e simbólicos para a região Norte", acrescentou o autarca.

Já o Gabinete de Comunicação da Câmara do Porto fez saber que "há um mês a Junta Metropolitana foi informada pelo ministro António Mendonça [depois de ter sido questionado sobre a possibilidade do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) poder vir a afectar o metro do Porto] que isso não iria acontecer".

Por seu lado, o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, mostrou-se surpreendido com a reavaliação da segunda fase do metro do Porto, que inclui uma ligação a S. Mamede de Infesta. "Não há razão nenhuma para qualquer adiamento relativamente aos investimentos previstos, até porque boa parte dos investimentos, a haver, não são para acontecer de imediato", já que são "investimentos cujo dispêndio financeiro se verificará num momento posterior", explicou o edil, em declarações à TSF.

"Em termos de investimento público, de dinamização da prioridade económica, calendário e um sinal a Norte não faz sentido não haver os investimentos previstos para o metro de superfície", frisou Guilherme Pinto.

Castro Almeida, vice-presidente da Junta Metropolitana do Porto, disse, à mesma estação de rádio, que os autarcas da região não foram informados sobre qualquer reavaliação deste projecto.

A assessoria de Valentim Loureiro, da Câmara de Gondomar, quando questionada sobre a possibilidade do adiamento da extensão da linha a Valbom, não quis tecer comentários.

No início do ano, o presidente da Metro do Porto, Ricardo Fonseca, numa cerimónia que contou com a presença do ministro das Obras Públicas, admitia que o concurso seria lançado em Abril passado, o que, mesmo assim, já representava um atraso considerável face à data anteriormente defendida: Setembro de 2009.

Naquela que foi a primeira visita oficial ao Porto, António Mendonça descartou responsabilidades políticas e atribuiu o atraso a questões técnicas. O ministro das Obras Públicas garantiu ainda que os projectos acordados para a segunda fase estavam "em curso" e eram "para continuar".

Contactada pelo JN, a Metro do Porto também não quis falar do assunto.
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2 Opiniões

At quarta mai 19, 06:21:00 da tarde, Blogger Rui Farinas said...

Não há dúvida que a qualidade dos ministros vai de mal a pior. Mário Lino era um pateta alegre. O actual parece uma marionete que mexe ao sabor das ordens que recebe. Para que serve um ministro assim?.

 
At quinta mai 20, 02:23:00 da manhã, Blogger Antonio Almeida Felizes said...

Caro Rui,

Tive a informação que o famigerado secretario de estado do ministro que refere, aquele que disse que ia desviar os fundos comunitários dos TGVs Porto-Vigo e Porto-Lisboa para a 3.ª travessia do Tejo é, afinal, um conhecido 'beto' de Cascais. Infelizmente, é por este tipo de gente que somos (mal) governados.

Cumprimentos,

 

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