domingo, novembro 14, 2010

"Quando todos não remam para o mesmo lado, a canoa pode partir"

Resposta ao comentário de um forista, segundo o qual as novas tecnologias permitem que cada vez mais se deva decidir centralizadamente no País, para manter a "unidade nacional"
"Com as tecnologias actuais o governo gasta milhares de € num fokker ou a fretar um comercial em vez de usar a videoconferência. Com as tais, o juíz do Casa Pia nem conseguiu meter o acórdão na net a horas. O governo não toma conhecimento de causa dos problemas locais, não comunica com as entidades que trabalham no terreno, um instituto passa a bola para o outro sobre um processo.

Sobre o exercício, ainda dou o exemplo de Coimbra que, com um governo regional poderia decidir sobre os transportes públicos que melhor o serviriam e poderia, até, criar os Transportes da Região Centro ou da AMC. Mas não, temos serviços limitados e outros que nem verão a luz do dia porque o Estado não se apresenta às reuniões para decidir os processos. E com isto temos um serviço de mobilidade pública parado ad eternum, ou por causa de ordens "superiores" temos uma estação intermodal essencial para a cidade entravada só porque estão à espera do TGV para o fazer, e porque sem o dito, a estação não avança.

 Em Viseu foi retirado o serviço ferroviário, nem sequer havendo transportes públicos para ligar Viseu a Mangualde ou Nelas, onde passa o serviço IC, obrigando os Viseenses a ir de carro ou de táxi.

E temos Governos Civis que nem têm autoridade para decretar estado de calamidade pública regional aquando de um incêndio de larga escala, por exemplo, de secas ou cheias. Só vais lá pedir licenças e fazer o passaporte.

 E posso dar outros exemplos, mas não faltam por aqui.

 A unidade nacional é um entretém do pessoal do contra. A unidade nacional é estimulada pelo desenvolvimento INTEGRAL do país, de forma homogénea e em que os cidadãos do país se sentem igualmente representados.

 O que não acontece. Unidade nacional é tudo o que não está a acontecer agora, senão teríamos Lisboa a abdicar da expansão do metro para poder fazer uma linha de comboio noutra localidade com maior necessidade.

Aliás, é pelas diferenças de desenvolvimento regional e contínuas discriminações que vários países declararam independência (ou que assim o desejam) de outros. Ora vai ver porque é que os EUA se tornaram independentes depois da subida das taxas do chá e da falta de representação das 13 colónias americanas no parlamento britânico. Isto apesar da semelhança cultural.

 Quando todos não remam para o mesmo lado, a canoa pode partir."
Lino

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