sexta-feira, janeiro 14, 2011

Norte e Centro amorteceram recessão de 2009

Com quedas no produto interno bruto regional abaixo dos 2,3 por cento verificados em Portugal, as duas regiões impediram que o ano fosse ainda pior

O Norte do País continua longe da produtividade da União Europeia, e mesmo entre as regiões portuguesas (NUT II, para efeitos estatísticos), não descola da última posição, com o seu produto interno bruto (PIB) per capita a ficar-se pelos 65 por cento da média europeia. Lisboa (110 por cento) e Madeira (105) são as únicas regiões acima dessa linha que agrega a média da UE a 27 países. Mas nas contas regionais ontem reveladas pelo Instituto Nacional de Estatística, percebe-se também que o Norte e o Centro do país foram as duas regiões que viram o PIB cair menos durante o ano recessivo de 2009.

Os dados mostram que 2008 foi o último ano com algum crescimento no país (o PIB aumentou 1,9 por cento), muito puxado pelo Norte, que, confirmando dados avançados há meses, cresceu 2,6 por cento nesse ano. Os Açores e a Madeira tiveram crescimentos percentuais superiores, mas o seu contributo absoluto para o PIB nacional vale um quinto da riqueza produzida a norte do Douro. O PIB nacional caiu 2,3 por cento em 2009 (dados provisórios), mas o contributo das várias regiões foi, em ano recessivo, bastante diferente. Lisboa e Algarve (com quebras no PIB de 3,3 por cento) contrariam a tendêndia mais moderada de queda verificada no Norte (-1,3 por cento) e no Centro (1,6 por cento) do país.

As estatísticas do INE continuam a mostrar um país cheio de disparidades regionais e intra-regionais. Se o Norte tem um PIB per capita baixo, entre as suas sub-regiões, o retrato é diverso. O Grande Porto está até acima da média nacional, enquanto o Tâmega continua abaixo dos 60 por cento. Já em Lisboa, é maior a distância entre a Grande Lisboa (mais de 163,3 por cento) e a Península de Setúbal (70 por cento). No todo nacional, o maior fosso está na diferença entre a performance da Grande Lisboa e os 52,6 por cento do PIB nacional conseguidos pela serra da Estrela.

|Publico|
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4 Opiniões

At sexta jan 14, 01:28:00 da manhã, Blogger al cardoso said...

Ora ca temos a minha querida sub-regiao da Serra da Estrela, no final da escala, infelizmente!

Esse mapa regional era com o qual mais concordaria!

Um abraco regionalista do d'Algodres.

 
At sexta jan 14, 02:15:00 da manhã, Blogger Antonio Almeida Felizes said...

Caro 'al cardoso',

Já que falou na NUT III 'Serra da Estrela' aqui vão os n.ºs comparativos:

PIB per capita em 2009

Serra Estrela - 8.310
Grande Lisboa - 25.800

Assim vai a coesão nacional!

Cumprimentos

 
At sábado jan 15, 12:00:00 da manhã, Blogger al cardoso said...

E de facto muito significativo! Bem haja.

 
At sábado jan 15, 02:09:00 da tarde, Blogger João Marques Ribeiro said...

Caro al cardoso:

É por estas e por outras que defendo uma região Beira Interior. Como queremos que numa região "centro" se potencie o desenvolvimento das zonas mais pobres, como a Serra da Estrela ou Riba-Côa, se estas são precisamente as zonas com menos população do tal "centro" e vamos ter a lutar pelos mesmos fundos, zonas como Coimbra, Aveiro ou Leiria? Os casos semelhantes existentes no estrangeiro já nos provaram que seria uma má aposta.

A propósito, nos próximos tempos estou a pensar publicar uns artigos sobre a história da Beira Interior enquanto região, e a sua identidade regional. Veio-me isto à ideia depois de ler os seus comentários sobre a "Beira Interior ser uma invenção com cerca de 30 anos", ou da suposta maior ligação do distrito da Guarda a Viseu do que à Beira Baixa.
Espero conseguir afastar esses fantasmas, dessa aldrabice chamada "Beira Alta" que impuseram à Guarda contra a sua vontade no tempo do Estado Novo e que, com repressão, tentaram quebrar uma ligação entre o distrito egitaniense e a Beira Baixa que se mantinha desde a fundação de Portugal e que, felizmente, se está a restaurar desde a década de 1970.

Cumprimentos,

 

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