quinta-feira, janeiro 27, 2011

O Portocentrismo do "norte"

É verdade que os centros de poder estão todos em Lisboa, mas não deixa de ser verdade que o Porto já deu sinais de ter uma atitude demasiado parecida com a de Lisboa quando tem algum poder.

No caso concreto dos poderes "descentralizados" para o "norte", tudo tem sido demasiado tratado nas esferas de poder do Porto. O resto da "região" pouco ou nada vê e, pior ainda, o próprio investimento é muito centralizado na auto-intitulada "capital do norte", o que motiva queixas do resto da "região", que necessita muito mais de investimento que a área metropolitana portuense, principalmente Trás-os-Montes.

Tudo isto somado à ausência de uma identidade regional, que nunca existiu e nunca existirá, apesar da insistência de alguns círculos do Porto em impô-la (um JN que faz questão de repetir até à exaustão a palavra "norte" em cada edição; um Porto Canal que quer ser "um canal do norte" sem perder os vícios de uma televisão urbana; um semanário Grande Porto que sofre dos mesmos males...), faz as pessoas do Minho e, principalmente, de Trás-os-Montes, desconfiar. E, pior que isso, não vêem qualquer vantagem numa Regionalização destas...

Esta faceta centralista vai-se mostrando, para choque dos minhotos e transmontanos, com decisões como a de chamar à região de turismo "Porto e Norte", demonstração demasiado clara de centralismo, que pouco ou nada difere da do Terreiro do Paço.

Portanto, os minhotos e os transmontanos estão desconfiados e, compreensivelmente, pensam que mudar o poder de sítio não lhes adiantará de muito, ainda por cima sabendo que a Regionalização acaba com os distritos, que são o único poder que resta nessas regiões.

Penso, por isso, que há necessidade de deixar de ter a questão da Regionalização centrada no Porto, e passar a pensar numa Regionalização que sirva os interesses de todas as regiões.

E isso só se resolve com as 7 regiões, com poder distribuído pelas actuais capitais de distrito.

PS: Escrevo isto enquanto vejo a entrevista de António Barreto, que está a defender uma profunda descentralização, nomeadamente no sector educativo, deixando ao Ministério apenas a responsabilidade de elaborar currículos e pouco mais...

Ora, sabendo que Barreto é absolutamente contra a Regionalização, suponho que esteja a defender que haja, em Portugal, 308 maneiras diferentes de gerir o sistema educativo... Está-se a ver a confusão que isto iria dar!

Mais uma vez, chega-se à conclusão que a descentralização eficaz só é possível com Regionalização.


João Marques Ribeiro

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18 Opiniões

At quinta jan 27, 11:40:00 da tarde, Blogger Ricardo Fonseca said...

Viva, sou nortenho e não acredito nesta visão que demonstra do norte, por ex. quando refere "Esta faceta centralista vai-se mostrando, para choque dos minhotos e transmontanos, com decisões como a de chamar à região de turismo "Porto e Norte", demonstração demasiado clara de centralismo, que pouco ou nada difere da do Terreiro do Paço."

Eu pergunto se não foi no próprio terreiro do paço que se criou esta designação?!?!? Quer outro exemplo lisboa e vale do tejo... acredite numa coisa no Porto não se decide nada...

um abraço,
Ricardo Fonseca

 
At sexta jan 28, 08:09:00 da manhã, Blogger Andabata Mandelbrot said...

"Não têm nada a ganhar" - cuidado com estas afirmações extremistas. Há muito a ganhar em ter o centro de poder e decisão a meia hora (Braga), 3/4 de hora (Viana), uma hora (Vila Real - menos, com a A4) ou duas horas (Bragança), numa cidade que se visita com regularidade, onde há relações familiares, etc... em vez de o ter a 3,4 ou 5 horas de distância, onde só vão os altos quadros ou se vai ver jogos de futebol, com o qual as relações humanas são muito mais fracas. Sim, é melhor uma regionalização Porto/Minho/Trás-os-Montes+Douro, mas entre a regionalização a 5 ou nenhuma, venha a reg. a 5.

 
At sexta jan 28, 01:00:00 da tarde, Blogger Nuno said...

É uma pena que sendo Portugal tão pequeno tenha no entanto tantas assimetrias regionais. Pena maior é que perante a vergonha que tem sido a discriminação do interior nomeadamente trás-os-montes durante todos estes anos o sr viva bem com isso mas perante um exercicio de futurologia de uma região em que o Porto seria a "capital" isso já o aflija...
Não se esqueça que se todas as regiões tivessem o poder reivindicativo e lutassem pela igualdade de condições ao nível da distribuição dos dinheiros publicos(e não só)como nós no Porto lutamos, as coisas provavelmente seriam diferentes! Pelos vistos estamos sozinhos nesta luta mas ao menos sabemos o que queremos.
Entre ter uma região que englobe todo o norte ou dividi-la entre interior e litoral faça bem as contas e veja qual o poder politico e reivindicativo de uma região com quase 4 milhões de habitantes ou de uma região que não chega ao meio milhão. Uma região norte com quase 4 milhões de pessoas tem tanta gente como Lisboa e Vale do Tejo! Isso sim pode fazer a diferença no que toca a decidir quais os investimentos importantes para as nossas regiões!

PS: Faço a minha vida entre o Porto e Mirandela, sou um tripeiro de gema e um apaixonado por trás-os-montes e quero o melhor para estas duas regiões!

 
At sexta jan 28, 03:52:00 da tarde, Blogger João Marques Ribeiro said...

Caros Ricardo Fonseca, Anabela Mandelbrot e Nuno:

É um facto que no Porto pouco se decide. O problema, e é para isso que alerto, é que esse pouco poder decisório que existe para a "região norte", é exercido de uma maneira demasiado parecida com as práticas centralistas do Terreiro do Paço, que nós, regionalistas, tanto criticamos.

Daí os minhotos e, principalmente, os transmontanos, terem do Porto a ideia de um "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

Isto infelizmente é um sinal de que o centralismo está enraizadíssimo em Portugal, de tal modo que quase todas as comunidades têm febre em ser "capital" de alguma coisa (nem que seja "Capital do Móvel", "Capital da Cortiça" "Capital Universal da Chanfana".

Perante este diagnóstico, penso que o remédio é, em primeiro lugar, distinguir as diferentes realidades. E contraste regional mais importante em Portugal é o litoral/interior. Regiões litorais e interiores são muito diferentes, quase opostas, pelo que têm necessidades diferentes, que exigem governação diferenciada. Dentro dessas regiões, é preciso impedir a ocorrência de centralismos, situação que não é nova- já ocorreu nos Açores em 1976. Nada melhor do que adoptar a solução açoriana que deu óptimos resultados, e distribuir o poder regional pelas actuais capitais de distrito de cada região.

Que é melhor uma má regionalização que um péssimo centralismo, acho que não há dúvidas. Mas para o Interior os "ganhos" não são tão lineares.

É certo que se traz mais poder para mais perto, nem que seja para o litoral, mas há que ter em conta o reverso da medalha... A Regionalização implica o fim dos distritos, dos Governos Civis e de todos os serviços distritais que, embora ao litoral pouco digam, no interior continuam a ser órgãos muito importantes, sendo o único poder efectivo que existe em vastas regiões do nosso território e que as representa.

(continua)

 
At sexta jan 28, 03:53:00 da tarde, Blogger João Marques Ribeiro said...

(continuação)

O mito de que Portugal é um país pequeno tem de ser desmontado. De entre os 27 países da União Europeia, somos o 14º maior, ou seja, estamos mais ou menos a meio da tabela. Existem 13 países mais pequenos que Portugal dentro da União, entre os quais os Países Baixos, que têm 12 regiões administrativas; a Áustria, que é uma federação de 9 estados; ou a República Checa, onde existem 13 regiões administrativas. Em termos demográficos, somos mesmo o 10º país mais populoso da UE, e atrás de nós vêm países profundamente descentralizados, como a Suécia e a Finlândia, que se juntam ainda às já referidas nações da Áustria e da República Checa.

Olhando para este panorama, e tendo em conta que todas as nações que referi são consideravelmente mais desenvolvidas que Portugal, porque é que só em Portugal é que ouvimos vozes dizendo que 7 regiões é um número exagerado, ou até radicalistas que dizem sem qualquer pejo que somos um país demasiado pequeno para ter Regionalização?

A este tipo de posições, aparentemente só vistas em Portugal, costumo chamar "Regionalização a metro", já que o que as sustenta é a tese de que, supostamente, as regiões a instituir devem ter tamanho e população semelhante, para que tenham "massa crítica" e "poder reivindicativo".

Para levar esta ideia avante, os seus defensores não têm pejo em procurar soluções que atirem para as calendas gregas profundíssimos contrastes económicos e sociais, diferenças abismais em termos geográficos e demográficos, e cerca de um milénio de formação e desenvolvimento de identidades regionais fortes e assumidas.
As 5 regiões desrespeitam tudo isto, colocam fronteiras onde elas são mais dúbias, aparentemente sem qualquer critério, e ignoram as fronteiras naturais e históricas, que continuam a fazer sentido nos dias de hoje, e cada vez mais (se traçarmos as fronteiras das 7 regiões sobre um mapa demográfico, de indicadores económicos ou sociais, vemos que elas efectivamente separam realidades diferentes- as fronteiras das 5 regiões juntam o que não é passível de junção).

Praticamente todos os países regionalizados servem de exemplo para desmentir estas teorias dos defensores das 5 regiões. Em praticamente todos eles coexistem regiões grandes e pequenas; regiões muito e pouco populosas. Em praticamente todos os processos de Regionalização foram respeitadas as fronteiras históricas que delimitam identidades regionais seculares.
Até nos países com regiões autónomas (onde, portanto, o poder reivindicativo é bem mais necessário que em países com regionalização administrativa), como a nossa vizinha Espanha, coexistem regiões com 300 mil habitantes como La Rioja, que é mais pequena que Trás-os-Montes; com regiões com mais de 7 milhões de habitantes, como a Catalunha e a Andaluzia.
Tudo isto sem que haja problemas relevantes.

Assim, penso que os regionalistas têm de deixar de ser bairristas, e olhar o país como um todo, defendendo um mapa que sirva a todos, distinguindo as diferentes identidades, ao invés de se basear em feudos de certas cidades, e em argumentos completamente desfasados da realidade. Só assim será possível que a Regionalização deixe de ser uma luta quase exclusiva do Porto, para passar a ser uma causa nacional. Daí ser necessário defender um mapa de 7 regiões:

*Entre-Douro e Minho;
*Trás-os-Montes e Alto Douro;
*Beira Litoral;
*Beira Interior;
*Estremadura e Ribatejo;
*Alentejo;
*Algarve

Cumprimentos,

 
At sábado jan 29, 03:02:00 da tarde, Blogger templario said...

"As 5 regiões desrespeitam tudo isto (...) e ignoram as fronteiras naturais e históricas",

diz o Sr. João Marques Ribeiro.

Explique lá onde é que foi descobrir essas "fronteiras naturais e históricas" que assim definem tão radicalmente as fronteiras de regiões em Portugal!

Palavreado é barato.

Se assim fosse, Sr. João Ribeiro, há séculos que as comunidades dessas regiões, que só existem na sua cabeça e de mais uns tontos, lutariam pela causa da regionalização, pelo retalhar de um território e povo, que é uno, inquestionável.

A prova foi a clara derrota no referendo de 1998 e, há menos de uma semana, a derrota clamorosa dos candidatos presidenciais que defendiam a regionalização.

A mesma derrota que sofreram as camarilhas regionalistas do Porto nas últimas 3 eleições autárquicas no Porto.

Não percebe, por estes e outros factos, que o nosso povo despreza essa proposta da regionalização? Que os portugueses amam o seu país e jamais o querem ver dividido e nas unhas de aventureiros sem escrúpulos?

Somos um só povo, uma só língua, um território com fronteiras bem definidas há muitos séculos, uma cultura homogénea e sólida, uma cumplicidade cimentada num grande amor e paixão por uma nação que lhe proporciona a base fundamental da sua liberdade e afirmação no mundo?

Deixem-se dessas invenções, sejam simples e humildes, aprendam com o povo a que pertencem e tenham vergonha de se apresentarem como preocupados com os seus problemas, a maioria membros deste sistema partidário controlado por bandos épicos e gangues,, sistema partidário que liquidaram e onde cometem grandes crimes e ilicitudes, todos os dias, com compadrios e trafulhices.

Lutem pela renovação do nosso sistema partidário, correndo com as camarilhas que por lá campeiam.

Qual regionalização qual carapuça!

 
At domingo jan 30, 05:41:00 da tarde, Blogger Ricardo Fonseca said...

Templário.... eu diria antes membro de um qualquer aparelho partidário, você sabe lá o que diz homem! Se não conhece o Portugal real ao menos não diga esses disparates, você sabe lá o que é ficar doente no interior do país, ou ter de o seu filho percorrer dezenas de quilómetros diariamente para ir para a escola por serras geladas, você sabe lá o que é uma reforma miserável.... com jeitinho nunca sai de lisboa. Desse Patriotismo foleiro estamos fartos, banha da cobra para sempre nem pensar, vem falar das eleições com moral, mais de 50% do eleitorado ou não votou, ou votou em branco ou votou nulo, e dos que ainda votaram foi com muita satisfação que já vimos uma percentagem significativa a votar nos três independentes, ou seja, pode ser que esta percentagem sem comparação anterior continue a crescer e a esperança de um Portugal melhor surja!

E já agora porquê templário?

 
At domingo jan 30, 11:01:00 da tarde, Blogger João Marques Ribeiro said...

Caro templario:

O comentário de Ricardo Fonseca é elucidativo, e eu subscrevo-o.

Mas tenho de acrescentar que é irónico o senhor vir, mais uma vez, "desbobinar" a sua cassete de demagogia e sem qualquer justificação lógica para a sua defesa do centralismo, precisamente quando estamos prestes a comemorar os 120 anos da revolta do 31 de Janeiro.

Essa revolta foi um "basta" dos Portugueses à corja que nos governava, com privilégios feudais, no Terreiro do Paço, com a justificação de serem "representantes divinos" e da "tradição", palavras que não serviam para mais do que explorar sem escrúpulos os Portugueses.

A versão moderna desses apoiantes desse Portugal velho é personificada na perfeição pelo templario. Também eles insultavam e chamavam "tontos" e loucos aos que defendiam os ideais da Revolução Francesa ocorrida anos antes... A história veio a dar razão aos revolucionários, e as ideias que defendiam eram tão justas que ainda hoje são o pilar de toda e qualquer sociedade moderna.

Com os centralistas acontece a mesma coisa. No fundo, não defendem mais que a manutenção de velhos privilégios de um Império que já desapareceu, aos senhores que se instalam no Poder Central, num Terreiro do Paço que age como se fosse sede de um império onde, para lá das paredes dos ministérios, todos são colonos.

Muitos, como o sr. templario, vêm demagogicamente insurgir-se a contra os políticos, que isto tem de mudar... Mas nos velhos privilégios do sistema político, não querem eles mexer. Querem mudar tudo, mas sem mexer em nada, sem fazer nada, deixando tudo como está (aliás, foi nisto que assentou a campanha do "não" em 1998- os resultados estão à vista). O problema, para os centralistas, é lá dos "provincianos"- tal é a "cumplicidade cimentada num grande amor e paixão" (palavras do templario) que uma franja do país trata a esmagadora maioria dos seus compatriotas com um adjectivo pejorativo.

O senhor templario, tal como os absolutistas há 120 anos, ignora muita coisa sobre as propostas da mudança. Ignora que a Regionalização, para além de ser uma reforma já implementada por praticamente todos os países desenvolvidos da UE, é estudada nas universidades portuguesas e estrangeiras como indispensável para resolver assimetrias regionais, conter revoltas regionais, servir melhor as populações, reduzir custos e melhorar o planeamento. Ignora que é consensual entre os investigadores da área da Geografia, Planeamento, Urbanismo...
Ignora que há manuais inteiros, disciplinas inteiras, áreas do saber, a falar sobre isto e a colocar, preto no branco, as razões que eu e muitos defendemos.
Ignora que está inscrita na nossa Constituição desde 1976, e que esses artigos que o nosso próprio País desrespeita, serviram de molde para muitos outros fazerem reformas que os catapultaram para o desenvolvimento.

Posto isto, templario, cabe-me dizer-lhe com todas as letras que essa cassete demagógica está gasta.

Cumprimentos,

 
At domingo jan 30, 11:04:00 da tarde, Blogger João Marques Ribeiro said...

Já agora, gostaria de fazer uma correcção. No meu primeiro comentário, onde escrevi "Anabela Mandelbrot" deve ler-se "Andabata Mandelbrot".

Ao visado, que por acaso até se trata de um professor na nobre universidade que eu próprio frequento, as minhas sinceras desculpas.

Cumprimentos,

 
At segunda jan 31, 03:24:00 da manhã, Anonymous João Vicente said...

Sr. Templário,

Já teve duas respostas, mas deixe-me que lhe diga que, esta sua fábula aqui exposta (de alguém que, com certeza, não conhece as duas realidades do país), nem sequer merecia resposta...

Concordo totalmente com a regionalização a 7 e sou da opinião que não se deve sequer equacionar a questão da escolha entre "nenhuma" ou "uma má" regionalização. Trás-os-Montes não pode ficar ligado ao Porto e ponto. Seria apenas transplantar a raiz do problema, mantendo-o regado e nutrido.
E falo como vimiosense (Nordeste Transmontano: a nossa região é incomparavelmente mais semelhante ao distrito da Guarda, p. ex., do que ao Norte Litoral. Só não o sabe quem nunca passou por cá...

 
At segunda jan 31, 05:00:00 da tarde, Blogger templario said...

Sr. João Vicente,

Sim, Sr. João Vicente, alguns estudiosos da matéria admitem que, de facto, Trás-os-Montes é a única zona do país, cujos habitantes revelam alguns sentimentos de identidade regional.

Mas isso deve-se, a meu ver, a algum atraso verificado até recentemente no desenvolvimento das forças produtivas em relação ao resto do país. Por isso, e supondo que algum dia a regionalização fosse implementada em Portugal, esta região nunca poderia incluir o Porto, pois, se é certo que esse atraso se deve a políticas centralistas,estas foram personificadas em abundância pelas elites intelectuais, económicas, políticas e culturais do Porto, ainda hoje herdeiras de mentalidades de poder e cagança senhoriais, religiosas e burguesas caciquistas... Agora disfarçam e, demagogicamente, acusam Lisboa... O que eles querem é uma naçaozinha para se divertirem...., à moda do Sr. Pinto da Costa e confrades.

Mas tem de reconhecer que Trás-os-Montes tem brotado para a modernidade nos últimos 30 anos, devagar é certo..., mas no nosso país as coisas nunca puderam andar tão rápido como desejamos, pois os países da Europa Central sempre se mancomunaram entre si e com a Espanha das nações, desde o séc. XVI, , através da "DIPLOMACIA DO CORSO",para nos bloquearem o desenvolvimento, e do nosso pioneirismo roubaram-nos Arte, Inteligência, Filosofia, Experiência, Literatura, Ciência, Vida.

Agora querem um Portugal a retalho, já que nunca nos conseguiram dividir, com a conivência da escumalha que assaltou os pilares da nossa democracia - os partidos.

Os mesmos países da Europa Central que hoje, aliados ao capitalismo internacional e financeiro, tentam comprar Portugal em Leilão. No século XVI uniram-se na pirataria e destruição dos nossos galeões e caravelas, afundando muitos milhares de vidas portuguesas, para dominarem a Rota do Cabo, primeira estrada do Mundo Moderno, que abrimos; aliaram-se com a Igreja, através da Inquisição para nos fazerem o atrás dito e condicionarem o nosso desenvolvimento.

Foi a Inquisição (com esses países), como instrumento de Castela, que ensaiou a primeira regionalização em Portugal, com os tribunais distritais, dividindo a P.Ibérica em 16 distritos, 3 dos quais em Portugal. Claro que existiram erros internos, próprios, especialmente dos "regionalistas" de então.

Portugal é um país a-regional. E a regionalização em debate é um perigoso negócio partidário que conduziria Portugal à irrelevância total no contexto das nações e dos estados.

Os regionalistas só pensam em manterem-se à volta do aparelho de Estado com os seus amigos e familiares, como têm feito nos últimos 35 anos. Atrás deles estão grandes projetos do capitalismo europeu e financeiro para reduzirem à insignificância o mais antigo e unido Estado da Europa.

Temos hoje legitimidade para um dia destes, se fosse preciso, virmos para a rua e gritar:

-SOMOS CREDORES! SOMOS CREDORES!
-NÃO PAGAMOS! NÃO PAGAMOS!

Dito isto, fica claro que a nossa força é a nossa unidade territorial, linguística, cultural, política e histórica.

 
At segunda jan 31, 06:33:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Acabou?
Agora que eu estava a ler com tanto entusiasmo...
Que pena.
É que eu compreendo todos estes desejos e desabafos.
Só faltou falar dos Açores e do César.
Aquele Regionalizado que faz figura de rico, com os seus 64 euros mais os 36 que recebe de Lisboa (alguns vindos de Bruxelas), por cada 100 euros que gasta.

A enorme maioria dos Continentais nem sonha como isto é feito...

Mais Césares, aqui no Continente, não... NÃO... NÃO...

 
At terça fev 01, 01:55:00 da manhã, Blogger Gaiato alentejano said...

Ora essa! Mas que bela maneira de chamar atrasados aos transmontanos!

Sr. Templário: Não tem vergonha nenhuma. Não hesita em insultar às pessoas, cá no nosso país, para as quais o seu amor à terra não é incompatível com o seu amor a Portugal. É por causa de pessoas como o senhor, com conversas de Velhos do Restelo que o país não avança.

O que sabe sobre os problemas que tem um habitante de Vinhais, de Freixo de Espada à Cinta, de Alfândega da Fé, enquanto o senhor está comodamente sentado na sua morada nos arredores de Lisboa a despejar baboseiras sem aportar nenhuma solução ao problema que tem o nosso país?

O que o senhor demonstra define-se com apenas uma palavra: IGNORÂNCIA disfarçada de pseudo-cultismo, passando uma mensagem que qualquer pessoa que raciocine um bocadinho vê que é apenas verborreia.

Já agora pode dizer o mesmo aos habitantes de regiões como a Catalunha em Espanha, a Provença na França, a Baviera na Alemanha, a Escócia no Reino Unido, com a sua forte identidade regional sentida pela população que são atrasados... Imagino que devem estar ainda num estádio pré-industrial ou talvez ainda não conhecem a roda, quem sabe...!

P.S. Para o último anónimo: Algum «argumento» que queira acrescentar...? Mais do que nada para continuar a rir um bocadinho. Não faz mal à saúde, com certeza!

 
At terça fev 01, 02:35:00 da tarde, Blogger templario said...

Sr. Gaiato Alentejano,

Não era melhor ter tento nas suas respostas?

O que eu escrevi foi:

"Mas isso deve-se, a meu ver, a algum atraso verificado até recentemente no desenvolvimento das forças produtivas em relação ao resto do país."

"ALGUM ATRASO"
"DAS FORÇAS PRODUTIVAS" em relação ao resto do país, que não é culpa dos transmontanos, mas de políticas centralistas de Lisboa e Porto.

Tal como as forças produtivas do nosso país registaram grande atraso em relação aos países da Europa Central desde o final do século XVI, pelas razões que aduzi.

Claro que não chamei atrasado a ninguém.

Nem a si me atreveria a adjetivá-lo nessa qualidade.

Não seja parvo!

 
At terça fev 01, 06:03:00 da tarde, Blogger João Marques Ribeiro said...

Caro templario:

Calculo que o insulto que desferiu aos transmontanos, ao dizer que só têm identidade regional porque são atrasados (basta olhar para as maiores identidades regionais na UE que vemos logo que existem nas regiões mais desenvolvidas da Europa) se deva à "cumplicidade cimentada num grande amor e paixão" que o senhor diz existir em Portugal, principalmente entre o Terreiro do Paço e a "província".

Ficamos também a saber que, afinal, nós é que somos o exemplo para o Mundo, todo o Mundo devia seguir-nos porque Portugal só não é o país mais desenvolvido do Mundo por culpa de "Castela" (continue a lutar contra moinhos de vento extintos há séculos, que vai longe...) e dos malditos países da Europa Central, que têm a culpa toda de nós sermos mais pobres que eles, apenas pelo facto de se terem desenvolvido mais que nós e de não terem esbanjado todos os seus recursos em proveito pessoal dos "heróis" do caro templário, que foram aqueles que nos governaram desde o século XVI, e à custa dos quais ficámos para trás no Mundo devido a mentalidades bacocas de "Velho do Restelo" como a sua.

Soubemos também que, afinal, a Regionalização são "projetos do capitalismo europeu e financeiro"...
Deve ser por isso que o PCP e o BE apoiam a Regionalização desde a primeira hora...

Sr. Templario, eu é que lhe peço tento nos seus comentários.
Não lhe basta já ter-me chamado a mim e a todos os regionalistas "corja", "gangue", "escumalha", "atrasados", "camarilhas", e agora até "parvos", ainda tem a distinta lata de nos vir pedir tento nas nossas respostas aos seus insultos.

O que o senhor merecia era ser pura e simplesmente ignorado pela nossa parte. Talvez seja isso que passe a acontecer um dia destes, pelo menos comigo.

Cumprimentos,

PS: Já agora, simule a situação que aqui colocou: peça dinheiro ao seu vizinho dizendo-lhe que não tem que comer, e depois apareça-lhe com um carro novo à porta de casa a gritar "Sou credor! Sou credor! Não pago! Não pago!" e depois relate-me o que aconteceu.
Fico à espera.

Para o anónimo:

Diz que andamos a ser "roubados" pelos Açores?
Então talvez lhe agrade saber que a dívida de uma simples autarquia local, como a Câmara de Lisboa (2000 milhões de euros) é superior à do Governo Regional dos Açores (1700 milhões), que tem competências muitíssimo mais alargadas.

Posto isto, estou à espera que me diga quem é que anda a roubar quem.

 
At terça fev 01, 09:56:00 da tarde, Blogger templario said...

Estamos conversados.

Não vos incomodarei mais.

Este é o último comentário neste blogue.

Os meus cumprimentos aos
Senhores António Felizes e Pró-7RA. com quem tive o prazer de dialogar nestes últimos anos.

 
At quarta fev 02, 06:04:00 da tarde, Blogger Gaiato alentejano said...

Sr. Templário. Respeito a sua decisão. Para mim nunca foi um incómodo até porque nunca achei que os seus "argumentos" viessem a dar em alguma coisa.

O senhor é um ferrenho anti-regionalista, coisa que eu respeito, embora não partilhe. O problema veio quando o senhor extravasou todos os limites quando passou a ridicularizar aos que defendemos a regionalização e nem sempre com bons modos (ainda me lembro da sua acusação de eu pertencer à Stasi...) por não aceitar os seus pontos de vista, que aliás, nunca se revelaram consistentes.

Eu orgulho-me muito em ser português e por isso mesmo, sinto uma enorme pena de ver o país caminhando à beira do abismo, com dois terços do mesmo em sério risco de desertização humana (ainda ontem encerraram todas as urgências SAP de vários municípios transmontanos...). A pessoa corrente, da rua, do povo, com o orgulho da grandeza da pátria não come; quer soluções que evitem ter de desistir de viver na sua terra e emigrar, quer para as já superlotadas regiões do litoral, não beneficiando por tanto os seus habitantes, que terão os mesmos recursos para mais pessoas; quer para o estrangeiro, o que é pior ainda, sobre tudo nos quadros superiores, onde o estado investe na sua formação sem obter resultados de volta.

E a regionalização, do meu ponto de vista, pode ser uma boa ferramenta para tentar equilibrar as coisas se for bem implementada. E não, não vejo uma ameaça à pátria: a Alemanha esteve regionalizada desde sempre com os seus "länders" e não vejo que seja um país pobre, ameaçado de disolução nem nada que se pareça dentro da sua lenga-lenga histérica de alegadas catástrofes que podem vir acontecer ao nosso país, quando realmente a verdadeira catástrofe é ficar de braços cruzados en não fazer nada.

Apesar de saber que não nutre sentimentos de simpatia por mim, eu estou acima dessas coisas, pois acho que uma pessoa educada, é-o apesar de lidar com pessoas que pensam diferente.

Por isso, desejo-lhe tudo de bom e subscrevo-me com os meus melhores cumprimentos.

 
At quinta fev 03, 08:14:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Templario = lisboeta mouro parasita nojento

PORTUGAL PAÍS DE MERDA

 

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