sexta-feira, outubro 07, 2011

Vale a pena recordar

Não é com intenção de acerto de contas mas apenas para se aquilatar o nível a que se coloca a política no Algarve, mesmo quando a política se cruza diretamente com o futuro da região, ou pelo menos com aquele futuro que uns quantos bem intencionados e que não esperam nada da política, desejam para a região.

Aí por ocasião dos calores de discussão sobre a regionalização – assunto que a crise e a troika se encarregaram de colocar na arca congeladora - foi sugerido pelos bem intencionados que as autarquias (municípios e freguesias) abrissem mão de poderes e até questionassem a justificação da sua própria existência e aceitassem colocar parte dos poderes que têm e parte da sua própria existência nas regiões, no caso do Algarve, na Região do Algarve que continuamos falsamente a supor que existe mas que é uma coisa falsa porque nem houve amostra disso nem há sinais de que possa haver.

E o que sucedeu? Sucedeu que em vez de se aceitar que há municípios e sobretudo freguesias a mais com péssimos serviços, se estimulou a criação de novos concelhos e de novas freguesias, sendo melhor que quem lá de cima andou por aí a dar “ânimo” a uns ingénuos e até suporte a gente de mão, se esconda debaixo da mesa e mude de nome para não cair agora em contradição.

Na verdade, os mesmos folgazões da política que se serviram de ingénuos para, com o enganoso municipalismo reforçado e com as rebeliões fragmentárias locais que levaram à multiplicação de freguesias e a ânsias de novos concelhos para efeitos meramente imobiliários (o resto é conversa), inviabilizarem a Região e reforçarem o centralismo que foi sempre a sua bandeira, são os mesmos agora que, a pretexto da crise e da rendição sem condições à troika, anunciam com regozijo funerário a extinção de freguesias e preparam a fusão de municípios.

E com isto, a Região perdeu, o centralismo sai reforçado sem apelo e sem deixar margem a grande contestação, e naturalmente que a clientela iludida pelo fogo-fátuo do municipalismo que por pouco não voltava a ser foraleiro com o regresso dos pelourinhos, essa clientela também perdeu ou vai perder. É uma questão de tempo.

Carlos Albino no J Algarve
.