sábado, abril 28, 2012

Haverá soluções para o despovoamento no Interior de Portugal?

Há certas situações em Portugal que parecem não ter volta a dar, um país de assimetrias, sem soluções que as contrariem.

O espaço rural em Portugal representa cerca de 80% do território, com diversificados recursos naturais e humanos, que seriam suficientes para suportar um qualquer investimento nesta área. No entanto, há muitas insuficiências económicas e muito poucas apostas em espaços rurais, colocando a vida dos autóctones numa situação desconfortável, sem acesso às mais diversas oportunidades.

O caso do Interior de Portugal, com uma população que depende ou dependia, diga-se assim, maioritariamente da actividade agrícola e que viu a modernização desta actividade afectar o seu bem-estar, ou seja, já não seria precisa tanta mão-de-obra como outrora, nem Portugal desde a entrada na União Europeia produz o mesmo que no tempo do velho escudo.

Associado à falta de produção agrícola, cresceu a indústria, que no fundo foi o motor para o êxodo rural, tal era a sua concentração no litoral. Entre 1960 e 1973 essencialmente, Portugal atingiu uma “fase de ouro” na indústria, em todo o tipo de serviços, têxteis, calçado, plásticos, entre muitos outros. No entanto desde aí, até aos dias de hoje, que o sector secundário tem vindo a piorar e a conhecer cada vez mais deficiências.

Ainda assim, parte deste sector a possibilidade de eliminar algumas assimetrias regionais. Para tanto, é necessário fixar indústria no interior do país e se Portugal apostar na inovação da tecnologia ainda podemos ter uma palavra a dizer num mundo tão globalizado.

A total inexistência da indústria no interior, só é contrariada com alguns pequenos estabelecimentos de ordem familiar sem nenhuma técnica avançada, mas que ainda assim assumem alguma importância no rendimento mensal desta população.

Ao acreditarmos que a actividade industrial nesta região seria capaz de absorver mão-de-obra local, de aproveitar os recursos locais, ligados nomeadamente à agricultura, essa seria também uma forma de combater o êxodo rural e o abandono de campos agrícolas.

Atendendo a que uma indústria sediada numa região onde não existem mais infra-estruturas seria uma óptima forma de a desenvolver, promovendo o aparecimento de outros serviços e oportunidades de emprego. Numa população com melhores condições de vida acaba por ser necessário crescerem serviços que completem essas condições. Há por isso um desenvolvimento saudável da região.

Através do Programa de Desenvolvimento Regional, atribuíram-se subsídios de apoio à instalação de empresas no interior de Portugal, benefícios fiscais às empresas, facilidades de crédito e apoio à formação profissional. No entanto, consta-se neste novo orçamento de estado que esses benefícios tiveram um ponto final. Quando estávamos no caminho certo para combater as assimetrias, voltamos a virar para o caminho errado.


O interior tem a vantagem de estar próximo da fronteira e mais facilmente conquistar o mercado europeu.

Há um esforço por parte do poder local em contrariar o que tem vindo acontecer estes últimos anos, mas a necessidade de contrariar tem de passar a ser nacional. Temos que pensar no interior do país como uma prioridade.

Os benefícios fiscais eram uma boa política para atrair empresas mas, se já não é possível, devemos pensar noutras soluções, o caso do turismo, por exemplo. Será certamente uma actividade que pode contribuir para o desenvolvimento do interior. Temos cultura, património, ideias e iniciativas.

Porque não colocar tudo isso em prática? Parte de nós enquanto portugueses e não apenas de quem lá vive e sente na pele “virar costas” à procura do litoral como oportunidade. Além disso, o turismo em espaço rural tem ofertas únicas e distintas do comum ‘sol e praia’. É um contacto mais directo com a natureza. É um turismo mais familiar e mais próximo da população. É conhecer por dentro Portugal.“(…)

É necessário incentivar acções de promoção das áreas rurais que tenham como finalidade principal a atracção dos naturais dessas áreas, que muitas vezes aí mantêm património assinalável e que poderão valorizar.

Esta questão poderá ser equacionada no contexto do turismo em espaço rural, cujo conceito deverá ser alargado, no sentido da diversificação da oferta e da manutenção das características essenciais do mundo rural (…)” (Jorge Gaspar, Geografia e Ordenamento do Território).

Há casos de sucesso a este nível que tive oportunidade de visitar. As Casas do Coro, em Marialva, são um exemplo de aposta que pretende contrariar a falta de dinamismo na região. Pela mão de gestores privados, mantêm a arquitectura externa da casa original e reformam por dentro, adaptando cada espaço e proporcionando sempre o maior conforto.

Relativamente a empresas sediadas no interior do país, conhece-se também o famoso caso e muito bem prestigiado dos Cafés Delta: exporta para 35 países; emprega cerca de 3 mil pessoas; e cerca de 50% da população local de Campo Maior trabalha na empresa.

São dois exemplos de sucesso no interior de Portugal. Haverá muitos outros certamente. Questiono-me, então, porque não olhar para os bons exemplos e segui-los? Em suma, há potencialidades e há pessoas qualificadas para atingir bons resultados no interior português, só é preciso que haja oportunidades e incentivos nacionais que contrariem a actual situação.

Rita Freitas

@J. Cadima Ribeiro

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1 Opiniões

At domingo abr 29, 12:33:00 da manhã, Anonymous "Amigos de Montalegre" said...

"Haverá soluções para o despovoamento no Interior de Portugal ?"
Há, ou melhor, tem de haver !
Já tivemos ocasião de dizer aqui neste espaço que, graças ao Blog 'Regionalizãção', fomos "apanhados" para a problemática da Regionalização e, hoje, com toda a frontalidade e sem preconceito algum, dizemos que estamos muito mais esclarecidos, talvez já suficientemente esclarecidos. Ora, o tema q hoje nos trás aqui é uma daqueles questões que devia aqui ser tratada até à exaustão, por tanto haver que dizer, a respeito. Como compreenderão, é extremamente dificil, para não dizermos quase inconsequente, em meia duzia de linhas abordar-se um tema que, como diz o slogan duma Escola Secundária (em relação à leitura): "´Leitura ou morte", por analogia diriamos algo parecido "Repovoamento do nosso interior ou MORTE !". Assim, sugerimos que não nos dispersassemos com generalidades s/temas que a nada conduzem e que centrassemos o nosso esforço neste tema do "despovoamento no interior de Portugal", porque tudo, afinal gira em sua volta, ie: tem a ver com educação, cultura, saude, iliteracia, solidariedade, comunicação, humanização, socialização, civismo, patriotismo. O "despovoamento do interior ", não pode ser resolvido apenas , pela Junta de Freguesia, pelo Municipio, pelo Governo, pela União Europeia, pela UNICEF, pela ONU, CPLP, pela TROIKA ou com financiamentos de milhões ou soluções vindas de longe, mas sim, por todos nós. O "despovoamento" é essencialmente um problema humano e, como tal, requer uma resposta humana. No que nos diz respeito, assumimos que nos consideramos em guerra.
Saudações regionais, nortenhas e patrioticas.
AdM
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