sábado, maio 10, 2014

VINHOS VERDES QUEREM EXPORTAR MAIS DE 50% E CONTINUAR A INOVAR


“Não achamos nada ambicioso vir a exportar mais de 50%”, entende o presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV). Apesar de vinho verde ser “um vinho que luta com muitos preconceitos”, a verdade é que ele é “a estrela das exportações de vinho do nosso país”, justifica Manuel Pinheiro.


O responsável, que falava na abertura da cerimónia de entrega dos prémios “Os Melhores Vinhos Verdes 2013″, esta sexta-feira à noite, no Palácio da Bolsa, no Porto, desafiou os produtores – estiveram presentes no jantar de gala cerca de 400 pessoas – e enólogos a continuar a inovar, para que a região tenha “uma viticultura mais competitiva”.

Em 2013, os 5 melhores vinhos verdes foram os vinhos Dom Ponciano, Via Latina (casta Alvarinho), Quinta das Almas e Quinta de Linhares (casta Avesso) e Casal de Ventozela (casta Loureiro). Os seus produtores receberam das mãos de um júri internacional os prémios “Best Of”, a categoria mais alta do concurso organizado pela CVRVV.

Luís Ramos Lopes, director da Revista de Vinhos, foi porta-voz desse grupo e anteviu uma tendência. “Se a região tiver a mesma atenção com o Avesso que teve com o Alvarinho e o Loureiro, o Avesso pode ser uma mais-valia para os Vinhos Verdes”. Apesar de os jurados terem feito provas cegas dos vinhos a concurso – cerca de 240 – o jornalista disse estar certo de que os vinhos monovarietais que mais o tinham impressionado eram os dessa “casta mal comportada” e difícil.

O concurso “Os Melhores Vinhos Verdes 2013″ premiou, ainda, com Ouro 12 colheitas seleccionadas por um júri nacional. Nesta categoria, brilhou a Quinta da Lixa, da sub-região do Sousa, que levou para casa 4 galardões dourados: Branco (lote), Vinhão, Loureiro e Alvarinho.

A Casa de Vilacetinho venceu o Ouro por 2 vezes com os seus Colheita Seleccionada Alvarinho e Azal. Os restantes prémios foram para os vinhos Praça de S. Tiago – Colheita Seleccionada Espadeiro, Quinta de Linhares Avesso, Quinta da Levada Azal, Alvaianas, Adega Velha e Conde Villar.


Esta foi uma das maiores edições de sempre do concurso “Os Melhores Verdes 2014″, com o maior número de marcas a concurso de sempre, e produtores e enólogos a darem “uma prova de abertura e coragem”. Conforme sublinhou, no início da cerimónia, Manuel Pinheiro, os produtores não sabem até ao minuto em que o seu nome é anunciado se foram premiados ou não. A edição deste ano dos prémios ficou ainda marcada por uma grande participação de vinhos monovarietais.

“A viticultura é um dos maiores desafios que a região enfrenta. Em 2013, recordo-vos, tivemos 153 milhões de litros parados. Hoje, estamos na situação oposta. As vendas crescem. Estamos a produzir 4 toneladas por hectare, mas não chega. Precisamos que a viticultura produza mais”, afirmou o presidente da CVRVV.

A região dos Vinhos Verdes “no ano 2000 exportou 15%” da sua produção. Em 2013, o ano fechou com “40% de exportações”. A evolução do negócio leva Manuel Pinheiro a acreditar que é possível, talvez ainda este ano, ultrapassar a fasquia dos 50%.

“Um grande número dos nossos exportadores não estavam com a mesma geração há 10 anos”, sublinhou ainda o responsável, sublinhando a importância que a renovação geracional tem tido nas quintas da região e nos processos de inovação.

Os vinhos “Best Of” de 2013 serão os embaixadores do Vinho Verde nas principais acções internacionais da CVRVV, nomeadamente, nas degustações realizadas em mercados estratégicos como o Brasil, EUA, Canadá, Suíça, Suécia, Reino Unido e Alemanha. “O que nós temos para crescer nesses mercados é muito mais do que aquilo que temos crescido até aqui”, vaticinou, confiante, Manuel Pinheiro.

Presente na cerimónia, o secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, comentou que “o objectivo de atingir os 50%” era “meritório” e podia “ser alcançado”. “Podem contar connosco”, prometeu.


Nos últimos anos, a região tem vindo a investir no plantio de novas vinhas, numa média de 800 hectares por ano, por forma a reforçar essa capacidade exportadora do Vinho Verde.

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