quinta-feira, junho 19, 2014

Trás-os-Montes: Drone faz prospeção de ferro em Moncorvo

A CPF - Companhia Portuguesa do Ferro, S.A. (CPF) está a utilizar um drone para fazer prospeções de ferro na sua área de concessão, em Torre de Moncorvo.

O levantamento magnético está a utilizar uma tecnologia inovadora introduzida em Portugal pela CPF. “Já antes tinham sido feitos levantamentos aeromagnéticos com recurso a helicóptero ou avião.

O drone é um veículo não tripulado que fica mais barato do que utilizar um avião ou helicóptero convencionais, tem outra mobilidade e uma vez que permite voar a altitudes muito mais baixas o levantamento magnético tem outra resolução. Além do mais este magnetómetro que nós estamos a usar é único no mundo”, explica Nuno Figueiredo, da CPF.

O geólogo adianta que “o Projeto de Ferro de Carviçais 2 foi o primeiro a descobrir um recurso de ferro magnetítico explorável a céu aberto”.

“Já identificámos um recurso explorável a céu aberto de 450 milhões de toneladas. Estamos a alargar o nosso conhecimento para uma área onde os recursos ferromagnéticos poderão ainda ser maiores e com uma maior quantidade de magnetite do que temos até ao momento.

Já temos à superfície nalgumas zonas minério com 25 por cento de magnetite, o que representa uma vantagem muito competitiva no nosso projeto e que é um fator único num projeto em Portugal”, garante Nuno Figueiredo.

No terreno desde 2 de Novembro de 2011, altura em que a CPF assinou o contrato de prospeção e pesquisa, a empresa depara-se com alguns problemas, quer ao nível do processamento do minério, quer ao nível de infraestruturas que permitam o seu transporte para os grandes portos exportadores ibéricos.

Estudos favoráveis

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“Os minérios do Complexo Ferrífero de Moncorvo são minérios de baixo teor em ferro, com um elemento penalizante, que é o fósforo, que é preciso eliminar, para os concentrados de ferro serem vendíveis na Europa. É um processo complexo”, constata o geólogo Acúrcio Parra.

Ainda assim, a CPF já efectuou testes que, segundo o geólogo, permitem verificar que em Carviçais 2 “é possível obter concentrados vendíveis dentro da Europa”.

Outra preocupação da CPF é a distância entre a mina e os centros consumidores. “Se nós tivermos que vender os concentrados de ferro na China, que é o maior consumidor, nós temos um sinal de custo de transporte em navios de grande tonelagem estimado entre 20 a 22 dólares por tonelada de concentrado”, contabiliza Acúrcio Parra.

Além disso, a CPF sublinha que de acordo com um estudo mandado elaborar pela empresa é preciso construir uma linha ferroviária entre Torre de Moncorvo e Vila Franca das Naves, para dar ligação aos portos espanhóis de Gijón e Avilés e ao porto de Sines, em Portugal.


Para já, a CPF não adianta uma possível data para a exploração de ferro em Torre de Moncorvo. “Estamos numa fase de avaliação e certificação de recursos segundo o JORC e só depois da viabilização económica iremos proceder ao estudo de impacte ambiental e ao respetivo plano de lavra, subindo um degrau de cada vez”, remata Nuno Figueiredo.
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