terça-feira, agosto 14, 2012

Barragem do Tua

A Barragem do Tua destrói o Douro para rentabilizar um negócio de ventoinhas.

A construção da Barragem do Tua será trágica para Portugal. Coloca em causa esse património milenar que é o Douro, além de que economicamente é um investimento desastroso para o País. Mas como interessa à EDP, que é um verdadeiro estado dentro do estado, provavelmente irá mesmo avançar.

Ao permitir que se coloque em risco a marca Douro Património Mundial, o governo português envergonha-nos na comunidade internacional. Portugal é referenciado como um dos países que desdenham ou destroem património, como os talibans que no Afeganistão destroçaram os Budas gigantes, ou até como o Mali, onde se demoliram templos milenares.

Com a construção da Barragem do Tua, permite-se a depreciação patrimonial duma região demarcada, aliena-se procura turística de altíssima qualidade, desvaloriza-se o Vinho do Porto. Inexplicavelmente, os dirigentes políticos que tantas medidas justificam a troco duma imagem externa positiva de Portugal ficam mudos e quedos perante esta atrocidade.

Ainda por cima, todo este prejuízo é provocado por um negócio calamitoso. A Barragem do Tua é energeticamente inviável, pois a sua capacidade permite a produção hidroeléctrica num reduzidíssimo período anual de pouco mais de um mês. No restante, a actividade predominante deste equipamento será a bombagem de água, com recurso a energia eólica. Esta será subsidiada, paga por todos os consumidores através do défice tarifário incluído na factura de cada lar. Servindo apenas para gerar lucros milionários para a EDP e seus parceiros das eólicas, a Barragem do Tua destrói o Douro para rentabilizar um negócio de ventoinhas.

A decisão de José Sócrates de construir esta hidroeléctrica foi desastrosa. E desastrosa a atitude de Passos Coelho por não ter cancelado todo o projecto.

Até Guterres, conhecido como um governante hesitante, mostrou mais determinação. Impediu a Barragem do Côa, justamente por razões patrimoniais bem menos gravosas do que as que justificam o cancelamento imediato da construção do Tua. No seu tempo, bem ou mal, era o governo que decidia sobre os interesses do País. Hoje parece ser a EDP a decidir sobre a vontade do governo.

Paulo Morais, Professor Universitário

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1 Opiniões

At quarta ago 15, 01:30:00 da tarde, Anonymous claudio said...

ja esta mais que denunciado:

https://www.facebook.com/claudio.borges.33

e nao me vou cansar de continuar a lutar contra esta barragem! garanto!

 

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