sábado, março 23, 2013

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

Excerto dum artigo no jornal O Comércio do Porto de 1 de Fevereiro de 1891, de Rodrigues de Freitas, intitulado Economia e Moralidade:

“A situação financeira de Portugal chegou a tais condições que, para serem eficazmente combatidos, os males de que elas nos ameaçam em nossa reputação e em nossos interesses, é indispensável inteligente patriotismo, perseverante de dedicação pelo bem público.

O terrível acumular de dívidas correspondentes a sucessivos deficits provêm não tanto da necessidade de efetuar despesas próprias de um povo progressivo, como do muito egoísmo que pôs toda a sua atenção, todo o seu cuidado, em viver e medrar à custa do tesouro.

Quantos gastos inúteis têm sido efetuados! Quantas obras aparentemente destinadas a promoverem o bem nacional, e que na realidade somente serviram de alimento e satisfação a interesses particulares! (…)

Se no meio dos grandes desvarios alguém erguia a voz para exprimir o seu temor de que fossem perniciosíssimas as consequências deles; se alguns espíritos não concordavam que a imoralidade pudesse produzir a verdadeira grandeza da pátria; se eles não se deixavam deslumbrar nem com a subida dos fundos, nem com a facilidade de obter empréstimos no mercado monetário, e diziam que todas essas prosperidades eram ocasionais, efémeras, – as opiniões deles passavam por demasiadamente pessimistas; e o carro triunfal dos levianos e dos especuladores continuava em sua rápida carreira, perdidas essas vozes estranhas no vasto meio das aclamações ruidosas”.

A história não se repete, o tempo não volta para trás – os homens e as mulheres é que andam pouco para a frente.

Luís Fernandes