por Rui Valente
"A regionalização é um pré-requisito para a descentralização que objectiva transformar regiões administrativas em territórios de desenvolvimento, aproximando o Governo dos cidadãos."
Em resumo, é esta sem dúvida, a ideia base que grande parte da população faz do tema Regionalização. Talvez por ser a que é mais praticada na Europa moderna, com óbvios sinais de sucesso, é esse sistema que se debate mais, fora das fronteiras da capital e dos centros do poder. É a Norte (e no Algarve também), que mais se vem discutindo o assunto, por motivos que estão à vista de todos, não obstante a manifesta indiferença das televisões regimentais.
Muitos dos que se opõem à Regionalização, preferem fazer de conta que não entendem, ou se entendem descobrem logo mil e um argumentos negativos para tentarem dissuadir aqueles que a defendem, a qualquer preço. Naturalmente que, sendo tão repetitivos e inconsistentes os seus argumentos, acabam por produzir um efeito contrário, resultando depois numa reactiva desconfiança pela parte das posições defensoras da causa.
Acontece que a Regionalização é, no fim de contas, o caminho mais simples para descomplicar processos de governação absolutamente fracassados, como acontece, desde sempre, em Portugal. Por outro lado, as populações tendem a escolher de forma moderada, os meios para uma mudança governativa, dentro de alguma estabilidade nacional. Ninguém quer conflitos, todos querem é apenas uma governação mais justa e próxima dos cidadãos.
As posições mais extremistas, quando acontecem, são quase sempre uma consequência de práticas igualmente extremistas dos governos centralistas. Uma coisa leva à outra. Por isso, é que eu continuo a considerar autista e irresponsável a actuação do poder político nos últimos anos. Se há quem tenha gerado situações fracturantes na hegemonia nacional, é o poder político com o respaldo da comunicação social.
Contudo, a Regionalização ou qualquer outro método de governação, nada valem se não se cumprirem escrupulosamente as "regras do jogo". O problema essencial é o homem. O eleitorado tem de encontrar, quanto antes, novas fórmulas democráticas para controlar as prestações políticas dos seus representantes de modo a poder afastá-los em tempo útil do poder e substituí-los por outros mais responsáveis.
Na análise do desempenho político há quem privilegie as questões técnicas às questões de carácter. Pessoalmente, sou completamente contrário a essa opinião. Não acredito, de todo, que alguém possa desempenhar bons serviços públicos, por mais qualificado - técnica ou cientificamente - que seja, se não for dono de um grande carácter, se for vulnerável à manipulação das Leis.
O espírito de missão passa, entre uma data de coisas, por cumprir o que foi previamente estabelecido. O nosso problema, nunca foi a falta de boas leis, mas sim a incapacidade de as fazer cumprir e respeitar.
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"A regionalização é um pré-requisito para a descentralização que objectiva transformar regiões administrativas em territórios de desenvolvimento, aproximando o Governo dos cidadãos."
Em resumo, é esta sem dúvida, a ideia base que grande parte da população faz do tema Regionalização. Talvez por ser a que é mais praticada na Europa moderna, com óbvios sinais de sucesso, é esse sistema que se debate mais, fora das fronteiras da capital e dos centros do poder. É a Norte (e no Algarve também), que mais se vem discutindo o assunto, por motivos que estão à vista de todos, não obstante a manifesta indiferença das televisões regimentais.
Muitos dos que se opõem à Regionalização, preferem fazer de conta que não entendem, ou se entendem descobrem logo mil e um argumentos negativos para tentarem dissuadir aqueles que a defendem, a qualquer preço. Naturalmente que, sendo tão repetitivos e inconsistentes os seus argumentos, acabam por produzir um efeito contrário, resultando depois numa reactiva desconfiança pela parte das posições defensoras da causa.
Acontece que a Regionalização é, no fim de contas, o caminho mais simples para descomplicar processos de governação absolutamente fracassados, como acontece, desde sempre, em Portugal. Por outro lado, as populações tendem a escolher de forma moderada, os meios para uma mudança governativa, dentro de alguma estabilidade nacional. Ninguém quer conflitos, todos querem é apenas uma governação mais justa e próxima dos cidadãos.
As posições mais extremistas, quando acontecem, são quase sempre uma consequência de práticas igualmente extremistas dos governos centralistas. Uma coisa leva à outra. Por isso, é que eu continuo a considerar autista e irresponsável a actuação do poder político nos últimos anos. Se há quem tenha gerado situações fracturantes na hegemonia nacional, é o poder político com o respaldo da comunicação social.
Contudo, a Regionalização ou qualquer outro método de governação, nada valem se não se cumprirem escrupulosamente as "regras do jogo". O problema essencial é o homem. O eleitorado tem de encontrar, quanto antes, novas fórmulas democráticas para controlar as prestações políticas dos seus representantes de modo a poder afastá-los em tempo útil do poder e substituí-los por outros mais responsáveis.
Na análise do desempenho político há quem privilegie as questões técnicas às questões de carácter. Pessoalmente, sou completamente contrário a essa opinião. Não acredito, de todo, que alguém possa desempenhar bons serviços públicos, por mais qualificado - técnica ou cientificamente - que seja, se não for dono de um grande carácter, se for vulnerável à manipulação das Leis.
O espírito de missão passa, entre uma data de coisas, por cumprir o que foi previamente estabelecido. O nosso problema, nunca foi a falta de boas leis, mas sim a incapacidade de as fazer cumprir e respeitar.
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Comentários
PauloAlmeida - emigrado nos EUA
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,
Ainda bem que mais alguém "toca" num dos pontos essenciais de qualquer processo político: o carácter e a honradez, aqui bem frequentados pelo signatário ao colocar a ênfa em novos e melhores protagonistas políticos.
É claro que é necessário, mas não é suficiente, requerendo-se muitas mais valências de outra ordem, já anteriormente aqui descritas e desenvolvidas.
Sem mais nem menos.
Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)
V. fez-me lembrar do nosso Gil Vicente:
DIZ O BELZEBU
"Que busca honra Todo o Mundo
E Ninguém busca virtude".
Observe e analise o que se está a passar na Europa, a quantidade de brasivos indendiários por vias das regionalizações.
Não se esqueça que Portugal está localizado num sub-continente que a todo o momento pode incendiar-se.
A regionalização não é uma questão burocrática administrativa.
Os tempos são, especialmente, de consolidar e aprofundar a nossa unidade e independência.
Não caia nessa da regionalização, para bem dos portugueses e da Nação Portugal. V. nem imagina no que isto ia dar!
esse seu discurso patriótico não me devia ser dirigido mas a outro destinatário: o(s) Governo(s) que temos e tivemos.
Pelo que têm feito do país, asseguro-lhe que são eles os mais anti-nacionalistas que me foi dado conhecer desde os tempos de Salazar. Hoje, não estou preocupado com esses problemas. O meu problema é o CENTRALISMO,em muitos aspectos, pior que a DITADURA de Salazar. Essa é já a nossa guerra aqui no Norte e pode crer que não fomos nós quem a gerou.