segunda-feira, junho 30, 2014

METRO DO PORTO ABRE NOVA FRENTE DE CRISPAÇÃO ENTRE AUTARCAS E O GOVERNO


Municípios do Grande Porto criticam dualidade de critérios no financiamento de obras em Lisboa e no Norte. 

Os municípios da Área Metropolitana do Porto querem reunir-se, o mais rapidamente possível, com o Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro.

Este escreveu esta semana ao conselho metropolitano, admitindo não haver fundos comunitários para a expansão do metro do Porto, o que leva os autarcas, independentes, do PS, ou do PSD, a acusá-lo de tratar de forma discriminatória o Norte, quando se prevêem verbas europeias para investimentos no Metro de Lisboa.

(...) Desejosos de verem ser retomado um projecto que revolucionou a mobilidade na região, os presidentes de câmara ficaram desencantados com a resposta de Sérgio Monteiro.

Coube a um autarca do PSD, a descrição mais contundente. A resposta do governante aos anseios dos autarcas foi “maliciosa”, avisou o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes. 

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Estilos à parte, parece firme a posição da AMP contra a indisponibilidade de fundos europeus para a expansão do metro. A melhoria da mobilidade, a redução do CO2 e a consequente melhoria das metas ambientais exigiriam que fossem canalizados fundos da área do ambiente para este empreendimento, assinalou Guilherme Pinto, secundado, neste argumento pelos autarcas de Gaia e de Gondomar (Marco Martins).

O presidente do conselho metropolitano, Hermínio Loureiro, do PSD, tomou boa nota e sintetizou o clima vigente como de “insatisfação”. Expressão algo branda quando se percebe que, uma das maiores fontes de irritação é a inclusão de investimentos no Metro de Lisboa nos planos para o sector.

Instados a recorrer a externalidades (taxas com operações urbanísticas em redor das linhas, por exemplo), para financiar o metro, os presidentes de câmara questionam por que têm de ser as autarquias a pagar este investimento, no Norte, quando em Lisboa as verbas saem do erário público

“Os argumentos de racionalidade económica não se podem aplicar só a esta região”, frisou Eduardo Vítor Rodrigues. Gaia espera há muito por uma segunda linha do metro, tida como das que poderia ter maior procura. E, argumentou Hermínio Loureiro, os bons resultados obtidos na exploração da rede actual podiam ser potenciados com alguns investimentos em áreas de forte procura.


"Nós não queremos um país a duas velocidades. Nem queremos que haja uma estratégia para o sistema de transportes em Lisboa e outra para o Porto. Defendemos um espírito de equidade, de igualdade de tratamento", alertou Hermínio Loureiro. 

O presidente do conselho metropolitano não quer romper o diálogo com a tutela do sector, mas pretende convencer o Governo a mudar de posição, de modo a que o próximo concessionário da Metro do Porto, que terá de começar a ser escolhido, por concurso, até ao final do ano, saiba com o que contar em termos de possível expansão da rede.

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sábado, junho 28, 2014

PRODUTORES DO DOURO, UNIDOS PELO TUA, ESCREVEM CARTA À UNESCO

Quinze dos principais produtores de vinho da região do Douro juntaram-se para pedir à UNESCO a suspensão imediata das obras da barragem da foz do Tua.

Há risco de "danos irreversíveis" para o Vale do Tua, afirmam 15 dos principais produtores de vinho da região do Douro numa carta enviada à UNESCO para pedir "a suspensão imediata das obras" na foz do rio.

Unidos pela causa do Douro e do vinho do Porto, os produtores expressam "profundo desacordo com a construção da barragem", que será a 15ª hidroelétrica portuguesa construída na bacia hidrográfica do Douro.

Parte integrante do Alto Douro Vinhateiro, Património da Humanidade desde 2011, o Vale do Tua juntou A Quinta dos Murças (Esporão), Muxagat, Douro Boys (Quinta do Crasto, Quinta do Vallado, Niepoort, Vale Dona Maria, Quinta do Vale Meão), Ramos Pinto, Vinhos Conceito, Quinta do Pessegueiro, Tavadouro Vinhos, Sociedade Agrícola Vale do Tua, Quinta do Monte Xisto, Quinta do Noval e Quinta da Romaneira numa mesma carta, que vem juntar-se à campanha "Salvar o Tua, Proteger o Douro".

Para este grupo de produtores, a região produz vinhos com uma identidade "muito própria" que ficará ameaçada pela construção da barragem.

McNamara e um vinho pela causa

"Não há uso que justifique esta construção, que apenas vai aumentar os níveis de humidade e, por consequência, a ocorrência de doenças nas vinhas", afirmam os produtores na missiva, onde formulam também um alerta: a paisagem do Douro é "uma das principais ferramentas de divulgação da região e dos seus vinhos" e "as barragens estão a transformar negativamente a paisagem da região".

A causa do Tua conta com o apoio de outras figuras públicas como o surfista norte-americano Garrett McNamara, famoso por ter cavalgado uma onda gigante na Nazaré, e vários nomes da música portuguesa, que também criaram um hino oficial para esta campanha.

Até já há um vinho em defesa do Tua, lançado pela Herdade do Esporão, um dos subscritores da carta agora enviada à UNESCO, que decidiu criar uma edição especial do Assobio DOC Douro Tinto 2011 e fazer reverter todas as receitas a favor da causa "Salvar o Tua, Proteger o Douro".


A campanha, liderada pela plataforma Salvar o Tua , pretende sensibilizar a comunidade nacional e internacional para as consequências da construção da barragem hidroelétrica da Foz do Tua, salientando o risco de destruição do Vale e da sua linha de ferro centenária, parte integrante do Alto Douro Vinhateiro, classificado pela UNESCO como património da Humanidade.

@ expresso

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sexta-feira, junho 27, 2014

PORTO A 360º


Portal de viagens espanhol mostra Porto a 360º

O portal de viagens "Ocho Leguas", do jornal espanhol "El Mundo", criou uma viagem virtual em alta definição pela cidade do Porto.

As imagens panorâmicas estão disponíveis a partir de 14 locais da Invicta, com vistas tiradas de locais como a Serra do Pilar, em Gaia, a Torre dos Clérigos, Ribeira, Aliados, Mercado do Bolhão e as adegas de Vinho do Porto. Podem ser vistas através do computador, telemóvel ou tablet.

Para aqueles que não conhecem a cidade ou a querem recordar, as imagens proporcionam uma viagem pela calçada das ruas, pelo anoitecer nas águas do rio Douro, pelas prateleiras da Livraria Lello e pelos azuleijos da estação de São Bento.


A publicação já está em primeiro lugar das notícias mais lidas do blogue. A página, criada em 2008, é conhecida pelas visitas guiadas, destinos e recomendações para viagens nos cinco continentes.


@JN
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quinta-feira, junho 26, 2014

METRO DO PORTO: PSD (PORTO) CRITICA PRESSUPOSTOS DO GOVERNO PARA A EXPANSÃO


A Comissão Política Distrital (CPD) do PSD do Porto discorda totalmente dos pressupostos apresentados pelo secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, para viabilizar a extensão do Metro do Porto. 

«Não se compreende porque é que não existem os mesmos critérios para a extensão do Metro de Lisboa ou para a renovação da linha de cascais», lamenta o Presidente da Comissão Politica da Distrital do PSD/Porto, Virgílio Macedo.

Este dirigente social-democrata acrescenta: «É incompreensível que para o Metro do Porto a sua expansão esteja dependente da cobertura financeira ao nível de fundos comunitários, mas para a renovação da linha de Cascais estão já garantidos no Plano Estratégico de Infraestruturas de Transportes, 128 milhões de Euros de fundos comunitários».

Para CPD do PSD do Porto é totalmente inaceitável que para existir expansão do Metro do Porto, na opinião do secretário de Estado dos Transportes, seja necessário estudar formas a fim de assegurar investimento futuro, através da canalização das externalidades positivas decorrentes do alargamento da rede da Metro – caso ela ocorra - para financiamento do investimento.

«O que o secretário de Estado pretende é que sejam os municípios abrangidos por essa extensão a pagar essa mesma extensão”. 

Será que o mesmo é aplicado ao Metro de Lisboa? Qual o montante até agora suportado pelos municípios da Área Metropolitana de Lisboa, na expansão do Metro de Lisboa?», interroga Virgílio Macedo


Perante a gravidade das afirmações proferidas por Sérgio Monteiro, que traduzem uma enorme e inaceitável descriminação negativa para a região Norte, «a qual já se tinha verificado aquando dos projetos previstos no âmbito das IEVA (Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado)», a Distrital do PSD já solicitou uma reunião com a Administração do Metro do Porto e com o Presidente do Conselho Metropolitano do Porto, no sentido de em conjunto fazerem uma análise às questões de mobilidade da região, e darem uma resposta conjunta às imperdoáveis declarações pronunciadas pelo secretário de Estado dos Transportes.
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sábado, junho 21, 2014

BARRAGEM DO TUA: MACNAMARA TORNA-SE EMBAIXADOR INTERNACIONAL CONTRA A CONSTRUÇÃO

O surfista Garrett MacNamara tornou-se embaixador internacional da plataforma "Salvar o Tua, Proteger o Douro", que luta contra a construção da barragem de Foz Tua

Aos poucos, a plataforma Salvar o Tua, Proteger o Douro , que luta contra a construção da barragem de Foz Tua, vai ganhando apoios de peso. Desta feita é Garrett MacNamara - conhecido por ter surfado, na Nazaré, a maior onda do mundo - a dar cara contra a inundação do Vale do Tua e a destruição da centenária linha ferroviária.

MacNamara está no Brasil, mas foi contactado pela Plataforma, que lhe enviou os relatórios já antes remetidos à UNESCO, expondo os argumentos contra a construção do megaprojeto hidroelétrico. Segundo a organização, o norte-americano aderiu de imediato.

"Recebi um e-mail sobre a grave situação e não podia acreditar no que estava a ser proposto! Acredito que quanto mais deixarmos o ambiente no seu estado natural melhor será para todos, a longo prazo", defendeu o surfista, numa nota enviada à redações pela Plataforma.

Mas mais vozes, de todos os quadrantes políticos, sociais e económicos se têm juntado. Talvez porque a plataforma "Salvar o Tua, Proteger o Douro" reúna não só associações de defesa do ambiente mas também produtores de vinho no Douro, neste momento sete, entre elas a Esporão e a Muxagat.

Aliás, foram lançados dois vinhos - Assobio 2011 (Quinta dos Murças) e Muxagat Tinta Barroca (Muxagat) - cujas vendas revertem integralmente a favor das ações da campanha.

João Joanaz de Melo, do Geota - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente - anunciou ontem, na apresentação do novo site da Plataforma, que Manuela Ferreira Leite e Mário Soares subscreviam o manifesto que defende um outro modelo de desenvolvimento para o Vale do Tua e que outras empresas da região, nomeadamente turísticas, estavam em vias de se juntar à Plataforma.

O ambientalista falou na apresentação do vídeo da música pelo Tua , composta por Márcia e Luísa Sobral. A música é interpretada por um vasto leque de artistas, que assim se juntam também à causa: Amélia Muge, André Tentugal (We trust), Catarina Salinas (Best Youth), Frankie Chavez, Luisa Sobral, Mafalda Veiga, Márcia, Marta Ren, Rui Reininho, Samuel Úria, Selma Uamusse, Susana Travassos e Tiago Bettencourt.

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sexta-feira, junho 20, 2014

REGIÃO NORTE FOI A QUE MAIS HABITANTES PERDEU EM 2013

A região Norte, a mais populosa do país, foi a que mais habitantes perdeu em 2013, cerca de 22 mil, segundo as Estimativas da População Residente em Portugal divulgadas hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os dados do INE, o Norte (que possui 3,64 milhões de habitantes) perdeu 22.039, contribuindo com quase 37 por cento para a redução do número de residentes em Portugal, que em 2013, e face ao ano anterior, se cifrou em menos cerca de 60 mil pessoas.

No mesmo período, a região de Lisboa (que integra a Grande Lisboa e a Península de Setúbal), onde residem cerca de 2,8 milhões de pessoas, perdeu 10.863 habitantes.

A terceira região mais populosa é o Centro, com 2,28 milhões de pessoas e que em 2013 perdeu, face a 2012, 17.774 residentes, um valor semelhante ao verificado no ano anterior.

No Alentejo residiam menos 5.393 pessoas em 2013 face ao ano anterior, no Algarve menos 2.032 pessoas e na Região Autónoma da Madeira menos 1.778.

Os Açores, onde residem cerca de 247 mil pessoas, são a única região portuguesa onde o número de habitantes se mantém estável: diminuiu 109 residentes em 2013 face ao ano anterior mas em 2012 tinha aumentado 355 em relação a 2011, caso singular a nível nacional.

Para a redução do número de residentes em Portugal contribui o saldo natural (a relação entre o número de nascimentos e de óbitos) que em 2013 manteve valores negativos, a exemplo do saldo migratório, "uma vez que o número estimado de emigrantes voltou a aumentar", assinala o INE.


De acordo com os dados divulgados, o número de nascimentos com vida, de mães residentes em Portugal, voltou a diminuir em 2103 (82.787, menos 7,9% do que em 2012), enquanto o número de óbitos de residentes em Portugal foi de 106.543, menos um por cento do que em 2012 (107.598).

@INE

quinta-feira, junho 19, 2014

Trás-os-Montes: Drone faz prospeção de ferro em Moncorvo

A CPF - Companhia Portuguesa do Ferro, S.A. (CPF) está a utilizar um drone para fazer prospeções de ferro na sua área de concessão, em Torre de Moncorvo.

O levantamento magnético está a utilizar uma tecnologia inovadora introduzida em Portugal pela CPF. “Já antes tinham sido feitos levantamentos aeromagnéticos com recurso a helicóptero ou avião.

O drone é um veículo não tripulado que fica mais barato do que utilizar um avião ou helicóptero convencionais, tem outra mobilidade e uma vez que permite voar a altitudes muito mais baixas o levantamento magnético tem outra resolução. Além do mais este magnetómetro que nós estamos a usar é único no mundo”, explica Nuno Figueiredo, da CPF.

O geólogo adianta que “o Projeto de Ferro de Carviçais 2 foi o primeiro a descobrir um recurso de ferro magnetítico explorável a céu aberto”.

“Já identificámos um recurso explorável a céu aberto de 450 milhões de toneladas. Estamos a alargar o nosso conhecimento para uma área onde os recursos ferromagnéticos poderão ainda ser maiores e com uma maior quantidade de magnetite do que temos até ao momento.

Já temos à superfície nalgumas zonas minério com 25 por cento de magnetite, o que representa uma vantagem muito competitiva no nosso projeto e que é um fator único num projeto em Portugal”, garante Nuno Figueiredo.

No terreno desde 2 de Novembro de 2011, altura em que a CPF assinou o contrato de prospeção e pesquisa, a empresa depara-se com alguns problemas, quer ao nível do processamento do minério, quer ao nível de infraestruturas que permitam o seu transporte para os grandes portos exportadores ibéricos.

Estudos favoráveis

(...)
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quinta-feira, junho 12, 2014

PORTO: O EFEITO DO 'LOW COST'


Porto duplica passageiros e dormidas em 10 anos. Efeito low cost?

Em 10 anos, a cidade do Porto duplicou os números de dormidas

No ano do Euro 2004 a hotelaria do concelho registava 1.064.188 dormidas, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) - Em 2013 contava-se já 2.498.121 dormidas.

O Aeroporto Francisco Sá Carneiro teve há 10 anos um tráfego de cerca de 2.944.000 passageiros de acordo com o relatório e contas da ANA. Em 2013 o aeroporto recebeu 6,4 milhões de passageiros.

Contribuem para este crescimento o aumento gradual de companhias low cost como a easyJet, Transavia, Vueling e Ryanair, que tem no aeroporto uma base.

De janeiro a abril, o aeroporto do Porto teve um aumento de tráfego de 9.2%

A Ryanair melhorou 4,4%, a TAP 4,3% e a Transavia.com 23,9%.

A companhia low cost irlandesa Ryanair manteve o domínio de tráfego no Porto, ao transportar 37,1% dos passageiros voados no quadrimestre, cerca de 701,7 mil. A easyJet transportou cerca com 243,3 mil num aumento de 3,6%.


Em destaque continua também a Transavia.com que voou de e para o aeroporto nortenho 108,7 mil pessoas, mais 23,9%.
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terça-feira, junho 10, 2014

“ninguém fica onde não existe nada”...!

Fosso - Interior perde sete mil serviços e quase 200 mil pessoas

Desde 2000 que cerca de sete mil serviços públicos foram encerrados no interior do país. Ou seja, há um grande fosso entre o interior e o litoral que acaba por afastar os jovens, conta o Jornal de Notícias (JN).

Cerca de sete mil serviços públicos encerrados no interior do país desde 2000, Desde escolas, unidades de saúde, postos da GNR ou Correios, junta-se também os tribunais e as repartições das Finanças, anuncia o Jornal de Notícias

“Quando o Estado retira escolas, tribunais ou as Finanças, é a própria legitimidade do Estado que também desaparece”, explica Giovanni Allegretti, especialista em Planeamento Territorial, acrescentando que “ninguém fica onde não existe nada”.

De 1974 a 2013, o interior já perder 197 mil habitantes.

“O Estado não pode acentuar clivagem e agir com as regras do mercado. Fechar uma escola não é o mesmo que fechar uma loja ou um talho”, alerta Giovanni.

Giovanni afirma ainda que “nenhuma força jovem permanece num espaço onde o Estado só teve em conta a relação custo benefício, e não a especificidade”.

@NM

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segunda-feira, junho 09, 2014

CONTRA O "ENCERRAMENTO DO INTERIOR" DO PAÍS


Presidentes de dez juntas de freguesias "barricados" contra encerramento do Interior

Contra o "encerramento do Interior" do país, dez dos 21 presidentes das juntas de freguesia da Covilhã estão, esta segunda-feira, "barricados no interior". A expressão é dos autarcas que decidiram encerrar as sedes em protesto contra o Governo.

Estão a encerrar o Interior, a barricar-nos e, por isso nós também estamos barricados", explicou Pedro Leitão, presidente da União de freguesias Cantar Galo e Vila do Carvalho e porta-voz do protesto.

"Hoje são as escolas, depois vão ser os CTT e depois as extensões de saúde", acrescentou o autarca.

O protesto acontece no dia em que o Ministro da Educação, Nuno Crato, deverá ir à Universidade da Covilhã, onde os autarcas vão concentrar-se às 14 horas.

"Queremos dizer ao Sr. Ministro que não é nenhum Prémio Nobel para estar a decidir por nós e que não faça a política a partir da sua cabeça", afirmou Pedro Leitão.

Nas sedes das dez juntas de freguesia, onde esta segunda feira só é possível tratar assuntos de "extrema urgência", estão afixadas tarjas onde se lê "Fechados no Interior".

O mesmo acontece nas dez escolas que estão em risco de encerrar.

As restantes juntas de freguesias do concelho da Covilhã "estão solidárias", garantiu ao JN Pedro Leitão.


@ JN

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domingo, junho 08, 2014

Trás-os Montes: Património milenar à mercê de mais uma barragem

Barragem de Gouvães - Vila Pouca de Aguiar

Construção da barragem de Gouvães, em Vila Pouca de Aguiar, vai submergir património nacional e inundar terrenos agrícolas. População lamenta as perdas e afirma que o empreendimento não traz benefícios.

As águas da albufeira da barragem de Gouvães, uma das três que integra o empreendimento hidroeléctrico do Alto Tâmega, vão submergir um complexo de sepulturas megalíticas denominado Chã das Arcas, património nacional desde 1910.

O conjunto de seis dólmens data de finais do período neolítico, há cerca de 4.500 anos, e era um dos grandes motivos de atração ao concelho de Vila Pouca de Aguiar, que ganhou no séc. XIX o epíteto “Pátria dos Dólmens”.

“Estes monumentos tinham muito relevo para a nossa freguesia e concelho porque vinham cá muitas pessoas visitá-los. Eram autocarros e autocarros de pessoas aos fins-de-semana”, refere à Renascença o presidente da Junta do Alvão, António Guedes.

A Chã da Arcas era “um dos conjuntos de mamoas melhor preservados”, explica Patrícia Machado, arqueóloga da autarquia aguieirense, realçando o seu valor patrimonial e a sua importância para o turismo do concelho, na medida em que “numa pequena área conseguia combinar as duas tipologias de mamoas conhecidas na Península Ibérica, as mamoas simples e as de corredor”.

Os monumentos já foram selados, podendo-se observar agora no local apenas umas pequenas colinas de terra. Antes foram alvo de escavações e de investigação, no âmbito do projecto das barragens.

O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado, garante que, como medida de compensação pela perda da Chã das Arcas, “vão ser feitos investimentos significativos no concelho”, nomeadamente “no complexo mineiro romano de Tresminas”.

Projecto sem “regalias”

Inconformado com a construção do empreendimento hidroeléctrico, o autarca da Freguesia do Alvão acrescenta à perda do património outras queixas, pois, segundo António Guedes, “é uma grande área que vai ficar submersa por um lago e que não vai trazer regalias”.

Vamos perder os melhores terrenos agrícolas e de pastagens. Vamos sofrer com as alterações climáticas, como o aumento dos dias de nevoeiro e frio, e não vamos tirar dividendos da barragem, que será reversível, logo com uma grande oscilação dos níveis de água", impedindo o seu aproveitamento turístico ou para regadio, frisa António Guedes, explicando que “não se pode tomar banho, não se pode andar de canoa, não se pode pescar, não se pode regar…”

Passarinho que nasce na terra fria sempre por ela pia

Palavras retratarem o sentimento de perda de Maria Escaleira, ao olhar para a casa onde nasceu e cresceu com os sete irmãos, e que vai ficar submersa pelas águas da barragem de Gouvães, no concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Maria compreende que o empreendimento “até pode fazer falta”, mas não cala a dor que sente ao “pensar que tudo vai abaixo”. “Nasci e cresci aqui, com os meus irmãos, e cá no fundo dói. Dói no coração saber que vamos perder tudo isto”, lamenta à Renascença.

Também para os pescadores habituados às águas límpidas e aos peixes do rio Torno, saber que ali vai ser edificada uma barragem, é motivo de grande tristeza.

António Fernandes não quer pensar que dentro de pouco tempo não vai poder estar naquele local. “A barragem vai estragar tudo. As águas vão ficar paradas e o peixe vai saber ao lodo.”

Obras vão começar

Em Janeiro, os municípios do Alto Tâmega acordaram com a espanhola Iberdrola um plano de acção de 50 milhões de euros para investimentos e compensações resultantes da construção das três barragens.

O processo do empreendimento hidroeléctrico, que inclui as barragens de Gouvães, Tâmega e Daivões, tem-se arrastado e os ambientalistas interpuseram uma providência cautelar para considerar nula a Declaração de Impacte Ambiental (DIA).

Alberto Machado, presidente da autarquia de Vila Pouca de Aguiar, confirma ter a indicação de que, nas próximas semanas, será assinado o contrato de concessão entre o Governo e a Iberdrola, possibilitando o início da obra.


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